O que é autismo? Uma explicação de mãe para mãe

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ingrid_maeup

Ainda me lembro da primeira vez que pesquisei: “O que é autismo?”. Hoje, como mãe do Gustavo, quero conversar com você que também está procurando respostas.

Neste artigo, vou explicar o que a ciência já sabe, o que continua sendo investigado e por onde começar. Sem exigir que você vire especialista de uma hora para outra.

O que é o autismo?

O transtorno do espectro autista, ou TEA, é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que envolve diferenças no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro.

Ele se manifesta na comunicação, nas relações e na interação com o ambiente. Também envolve padrões repetitivos, interesses intensos, dificuldade com mudanças e particularidades sensoriais, como respostas diferentes a sons ou texturas.

No Brasil, o Censo 2022 identificou cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo — o equivalente a 1,2% da população. Os resultados foram divulgados pelo IBGE em 2025. Por trás desses números estão pessoas e famílias como a nossa, com diferentes necessidades, histórias e caminhos.

Por que cada pessoa autista é tão diferente?

Porque “espectro” reúne muitas combinações de habilidades e necessidades.

Algumas pessoas conversam com facilidade; outras precisam de comunicação alternativa. Há quem tenha bastante autonomia e quem necessite de apoio intenso ao longo da vida.

Por isso, eu prefiro começar por uma pergunta: do que essa criança precisa para se comunicar, aprender e participar?

O que causa o autismo? É genético?

A genética tem uma participação importante, conhecida muito antes de 2026. Pesquisas recentes ampliam esse conhecimento, mas não encontraram uma explicação única para todos os casos.

Existem muitas variantes genéticas associadas ao autismo. Algumas são herdadas; outras surgem pela primeira vez na criança. Portanto, ter um filho autista não significa, necessariamente, que um dos pais também seja autista.

E o que esses genes fazem? Muitos participam da organização do cérebro, do controle de outros genes e da comunicação entre neurônios, as células que transmitem informações no sistema nervoso.

Como essas diferenças se combinam e influenciam cada pessoa ainda é uma pergunta em investigação.

O que o metabolismo tem a ver com o autismo?

Essa é uma área que quero explorar com você aqui no blog.

Metabolismo é o conjunto de reações que permite ao corpo produzir energia, transformar nutrientes e manter as células funcionando. O cérebro depende desses processos.

Pesquisadores investigam relações entre variantes genéticas, metabolismo cerebral e autismo. Um estudo encontrou diferenças em substâncias ligadas à energia celular em um pequeno grupo de pessoas autistas com determinadas variantes genéticas.

É uma pista para estudar, não uma explicação que possamos aplicar a todas as crianças.

E a neuroinflamação?

O termo se refere a processos inflamatórios no sistema nervoso. Sua possível relação com o autismo também é investigada.

Ainda não podemos afirmar que uma alteração genética desregula o metabolismo, provoca neuroinflamação e, por isso, causa todos os sinais do TEA. Essa sequência não está comprovada como explicação geral.

Para mim, o interesse nessa pesquisa vem acompanhado de uma responsabilidade: separar o que pode ajudar hoje daquilo que ainda precisamos entender.

Como sei se meu filho é autista?

O diagnóstico exige avaliação profissional. O DSM-5, manual de critérios diagnósticos, organiza as características em dois grupos principais.

Na comunicação e na interação social, são avaliadas dificuldades nas três áreas:

Nos padrões restritos ou repetitivos, são necessárias pelo menos duas destas características:

Também é preciso considerar o desenvolvimento desde cedo, o impacto na vida cotidiana e outras explicações possíveis. Essa lista não funciona como teste caseiro.

Se você tem dúvidas, procure o pediatra ou a unidade de saúde e leve exemplos do cotidiano. Perda de habilidades merece avaliação.

O diagnóstico define o futuro do meu filho?

Autismo não é uma sentença sobre tudo o que seu filho poderá aprender ou viver. O diagnóstico ajuda a entender necessidades e organizar apoio, mas não prevê sozinho sua trajetória.

Não vou prometer um caminho fácil nem resultados iguais para todas as famílias. Quero lembrar que há espaço para aprendizagem, vínculos e conquistas, inclusive quando o suporte necessário é intenso.

Você também merece cuidado. Não precisa resolver toda a vida hoje.

Se quiser continuar essa conversa de mãe para mãe, me acompanhe no Instagram: @ingrid.up.